Clube do Livro #1: O perigo de uma história única
Na estreia do nosso clube do livro trazemos uma adaptação de uma das palestras mais assistidas do TED Talk feita por Chimamanda Ngozi Adichie.

Post por:

Os últimos dias foram importantes para que nós pudéssemos ouvir e entender sobre a dor que afeta o outro, foram dias de reflexão e aprendizado. Por isso, decidimos que a melhor forma de iniciar esse projeto aqui na Slowfashion Magazine e contribuir para esse debate, seria através da história contata por Chimamanda Ngozi Adichie, em “O perigo de uma história única”. Publicação que é uma adaptação da palestra homônima que Chimamanda fez no TED Talk em 2009, em Oxford na Inglaterra.

“Mostre um povo como uma coisa, uma coisa só, sem parar, e é isso que esse povo se torna” – Chimamanda Ngozi Adichie

No livro publicado em 2019, pela Companhia das Letras, Chimamanda conta a partir de sua experiência, como nosso imaginário sobre outras culturas é criado a partir da história que nos é contada a respeito daquele povo. Logo no inicio do livro, ela compartilha como o confronto com essa realidade acontece em sua vida, ao chegar aos 19 anos numa universidade americana e ser tratada por sua colega de quarto como uma pessoa que veio de um país extremamente pobre e que precisava de ajuda. Não era essa a Nigéria que Chimamanda conhecia e chamava de lar, criada em uma cidade com um pouco mais de 300 mil habitantes, ela teve uma vida cheia de altos e baixos, mas definitivamente uma vida mais confortável do que sua colega poderia imaginar.

Imediatamente ao ler este trecho do livro, onde Chimamanda conta como sua colega de quarto sentia pena dela antes mesmo de a conhecê-la, como se ela precisasse daquela “pena bem-intencionada”, veio a memória o episódio da série Little Fires Everywere, lançada aqui no Brasil em 2020 pela Amazon Prime Vídeo, em que Elena, uma mulher branca da classe média americana, ao conhecer Mia, uma mulher negra, automaticamente assume que ela precisa de sua ajuda. Tudo a partir dos estereótipos e prejulgamentos que ela estabeleceu no momento em que viu que Mia, sempre em nome da “boa vontade em ajudar ao próximo”, como a personagem reafirma incessantemente ao longo de toda a série.

“As histórias importam. Muitas histórias importam. As histórias foram usadas para espoliar e caluniar, mas também podem ser usadas para empoderar e humanizar. Elas podem despedaçar a dignidade de um povo, mas também podem reparar essa dignidade despedaçada.” – Chimamanda Ngozi Adichie

Chimamanda Ngozi, explica que contar histórias é um espaço de poder, onde as pessoas que as contam podem criar no imaginário do outro uma versão distorcida da realidade. Para ela, “a história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos não é que sejam mentira, mas que são incompletos. Eles fazem com que uma história se torne a única história”. Considerar a pluralidade do mundo em que vivemos e os diversos pontos de vista dentro de uma história, rompe com esse processo de construção de estereótipos, uma vez que construimos uma narrativa completa.

“O Perigo de Uma História Única” é um livro importantíssimo de ser lido no momento em que estamos vivendo, pois elucida sobre a importância de não nos apropriarmos da história e das dores do outro, mas sim dar ouvidos e abrir espaço para que para que possamos aprender com eles. Devemos abandonar a história única, narrada e escrita por pessoas que não vivem na pele o racismo estrutural e todos esses estigmas que temos sobre aquele que é diferente de nós, que reforçam a desigualdade e abrem espaço para o discurso de ódio.

COMPARTILHE:

Share on pinterest
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on facebook
Publicidade